10/02/17

elipses

Estava observando
o pedregulho
Quando escorreguei
na lama
O gato miando
Sofregamente a brisa
arrastando uma folha
seca pelo ar.
As tiras tristes
regurgitando para dentro
dos caules. Uma, duas, três
vezes. Esse seco movimento.

10/01/17

RE TOQUE

Repense Repise Repasse
Represe Recite Regasse
Recorte Refluxo Repoise
Recente Receie Ressente
Recibo Repuxo Retido
Refém Refrão Refeito
Retome Retoque Reprove

10/12/16

ajudar-te conversar contigo
ufa
custou assim tanto
eu sou muito tolerante
e poucas coisas me surpreendem eu sou vivo num limbo
boa noite
e obrigado por me aturares
sou muito dramático.
queria estar a teu lado e dar-te um abraço fraterno
ficaste sem palavras?

10/11/16

A REALIDADE É

mal-entendida
multi-arreliada
bem-defendida
pluri-descarrilada


Às 04:10 parado em Soure. Uma terra que nunca ouvi falar.
There is always a smell in Lisbon. Gradient loop.
U diverge and emerge.
Como se subsistir à aniquilação dos dias:
Ouça, pare e escute. Talvez não nesta ordem. Mas sempre da mesma maneira.
Fosse uma e outra história combinatória. Contra a Vitória.
I just don't know what're talking about. Estava ouvindo um ruído. Mudo.
Persigo. Em dom de sinapses e frases.
A conduta sorrateira do meu arqui-inimigo.

10/10/16

VIOLÊNCIA FRÁGIL

Quando tremem as pedras de ansiedade
Porque o nexo não faz sentido
E as peças são só palavras. O verso um ruído. Um poema a sobriedade.
De estilhaçar o vidro. As imagens são sempre as mesmas. As colunas repetidas,
as linhas ofendidas. Que narrativa cheira a vinagre...
Quando não há linhagem correspondente à tua saudade.
Lotadas de fissuras as dobradiças da janela riem-se, de ti. E de ti troçam
os leques anti-nódoas rebocados ao esplendor
Que línguas em transe sibilantes, secam a ferida feroz.
Violência frágil moinho sem nó.
Perder por um fio o lume da tua fogueira.

10/09/16

Onde houver dia

Haverá vida.
Sair de casa: (Como quem chama por mim)

Sentar no centro da eira
Esperando a evasão estreita
Da corrente seita de bombos
Logros e assombros Mal despedidos

Corta-e-roça. Alista-te com pressa
afinco e zinco e raspa-te no trevo da sorte
Que te tape o sul para descobrires o norte.
Prega então aos teus refugiados ensejos.

10/08/16

ANDANÇAS

Falo, de nada, dissertação 
Deserto andando ao fogo
Expelliarmus
Com as chaves de casa na mão 
Onde pare ao toque no peito 
A chama ilustre pulsa ao som 
I wanna be loved by you 
Don’t you want my love?
O churrasco nas Alturas 
Do exame de condução.

10/07/16

#



Abraçar os mudos decibéis.

No secular trevo da morte.

Pousar em relevo a figura da inconstância

Um ladrilho sucessivo desgarrando as fissuras da letra

rodeando os textos da treta.

Pausa ecléctica

estucando no parapeito encostado

ao enteado rebuscado em minúcias.

10/06/16

Perdi meu amor para a airbnb

Não pode parar de chover dentro da minha cabeça.

Como se traduzisse a vexatória alucinação pela palavra trevo (da sorte)

Como as algas secas no quimono escuro


E nessa estagnação propensa ao delírio tu fosses

A brancura inexpressiva da amargura.



E nesse circular ininterrupto de cadências torrenciais

Entalar a alma na trovoada



Me suplicasses a emanação da espiritual individualidade



10/05/16

Estar para lá de fechado
Dentro de mim mesmo
Gotejando lentamente como
um murmúrio de folhagem
divergente. Assentar na nuvem o vértice.
- Desastre natural! Vertendo sobre o sol posto
A luz que oculta a pinha
O voo inanimado do avião, do pavão
Tal e qual a sombra ressentida pela brisa
O que uiva lá onde vá
A quem ascende e não sabe onde está
Não toque nem sobe mais no céu 
por cá ser navalha afiada
da visão do lado do réu.