2009/06/28

Música para Ouvires

A tua voz é música que desejo
é o som que tento reproduzir
mas nada que não passe dum bocejo
um suspiro, um beijo é o que tenho a pedir

se não quiseres, basta-te sorrir,
dou-te a mão e juntos caminhamos
nesta vida tentando não deprimir

porque ela só faz mais sentido
se não a complicarmos
não viver contido nem deprimido
sermos livres para amarmos.

2009/05/27

Sem cor nem brio

Nas lacunas da vida eu sou tu
e nós somos alguém
que parte e foge de ninguém

vivemos impressionados
condicionados pela realidade
que nos sufoca a vaidade

divagamos, divergimos,
ascendemos, convergimos
nos dissabores que a vida nos trás

somos a sombra que o vento
leva, numa dança gélida e invernal
num pedaço de pauta banal

rugindo, sofrendo arduamente
a traição do tempo sombrio
perdes a cor, perdemos o brio.

2009/05/24

Dor de Amar

Gulodices, desperdícios,
aterro, descolo,
despenho-me em precipícios

Congelo os dissabores,
envio cartas aos meus amores,
simplifico as tendências,

Parto para o mar,
onde com o olhar
revisito as tuas ausências,

Dou de caras,
com as medicinas que saras,
a dor que tenho de te amar.

2009/05/19

térreo,férreo,aéreo

Um deserto incessante

Sucumbido no infame

Sofrimento possante

Dum poeta térreo

Necessitando de transporte

Férreo ou aéreo

Para um lugar bem perto

De si e longe de si

Para bem longe o sonho

Largar e nas leves folhas

Ao som do vento

O verso da felicidade

Num momento, plantar.

2009/05/13

Nenhum Sinal

Nenhum doce como

Até consumar o desejo supremo

Nenhuma flor colho

Até encontrar o florido jardim

Onde a tua ímpia alma molho

Nenhuma água bebo

Até saciar o efémero prazer

Que de ti recebo

Meu cândido animal

Tua figura austera e angélica

Esvaí-se nos confins do paranormal

A mim me basta olhar

Para de ti me saciar

O teu olhar selvagem, chega

Para me deixar sonhar.

2009/05/10

Partícula

Improviso os sentimentos
descarrego os sofrimentos
encaixo as esperanças
nos sagrados momentos

que não vivemos,
nem se quer os conhecemos
desprendemos o véu
para eu puder alegrar o meu céu

limpar o pó cinzento da vida
atrair-me por ti coisa ridícula
os teus olhos que tal como sida
desfazem-me até uma partícula.

2009/05/07

Janelas das nossas ruas

Nas janelas entreabertas

Descubro tamanhas incertezas

Rego as palavras incertas

Com muitas filosofias certas

Encontro-te ao virar da esquina

Rio-me, dispo-me, confio-te

As vidas que já vivi, provo-te

A angustia que me mina

E sorvo obrigados para ti

Numa ânsia simples

De contigo poder conversar

Plantar as amizade puras

Num abrir e fechar

De janelas nas nossas ruas.