10/10/18

Pancadas Esparsas

Eu quero escrever
Eu escrever quero

Uma face é só uma fase
Uma cara é só uma tara

Até quando eu não sei
Até só quero é viver

O que importa é o que serei
Serei que é o que importa

Uma frase só é uma faca
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Quero eu escrever
Escrever eu quero

10/09/18

Manifesto da pantufa

Acordar
a horas certas para escrever
linhas de versos diversas
erradas imensamente
amedrontadas pela síncope
cerebral em que eu me enrede
tu te enredas. Arredas
Botas, sapatilhas, chinelas
Ou terrenos inclinados a leste.
estar tentado a escutar
o cambiar do semáforo
num sinal dos tempos.
mudados a pavio
no faroeste baldio


10/08/18

ES TIO

é um ciclo de fio
a pavio pavimentado
pela correnteza ligeira
de dias transbordados
em suores benevolentes

sortes surtes e nutres
mortes arrotos e flutes
como a brisa que tão depressa
vai como vem, entre a areia
deformada na pegada, ou uma
alga colada.

lágrima salgada que vai
descendo avidamente
abdómen, costas
pente, mente.

10/07/18

Uma era que vês...

Relativiza firma lês eus imagina teus
Tu verás como a vi é bela
Firma teus eus e imagina te vi dança lês pais
Não sei deslindar em frases
o silêncio que me enfraquece

Vale um voo rotundo
naquele limiar sonâmbulo
de inquietação liquidada

Ou um duche com natacha kampouche
Repuxe a doença firma a crença
Num despacho imaculado de repasto
Gorduroso no andar no piso debaixo
bramindo sem lente o escabroso til.





10/06/18

fantasmagoria

assessoria

sincronia que racharia
em velcro e feltro
o pulcro sepulcro

nivelar o azar
sortear o ar
aceder ao pêndulo

convalescer
embriagar sem poder
numa esfera rachado

o tubérculo
a ser.

10/05/18

Sigo Abortado

Fatiado em ossículos e vínculos
currículos e cubículos
Com inexpressiva rouquidão
embrionária que cessa solenemente

o gomo final da tarde
que plantas do lado de fora
da alma sentada no peitoril
Pausa em retábulo menor

Fugacidade fogosidade
Fuga à cidade
Fuga a essa idade ou ao fogo
de fuga em ladrilho ventricular

Patentear patinando no solo
aureolar retrinco ímpeto
Fazes das fezes labirintos
Impressionáveis presa entráveis.

10/04/18

Tratamento residual de dados

Com bandeirante demarcado
foste de clique em clique
desmascarado com cura ar
Rede que se foi, suar
suores frívolos descendendo
testa abaixo desviando em prosa


Repousa e a tosse tosca
Compartilhada sem consentir
que a dor que deveras sente
é mais forte do que a fórmula
de multiplicar gostos por gente
Caralivro Facebook
Nunca o teu Estado esteve
tão depressivo...#findo

10/03/18

Manto da Invisibilidade | Görünmezlik Pelerini

Segura-te, prende-te à cadeira.
Bekle, sandalyeye tut.
Controla o teu azimute...
Azimutunu kontrol et.
versa a vida como a vês
hayat göründüğü gibi
dispersa em frases
cümlelere dağıtmak

10/02/18

Get Real

Take me as what it takes
To be irrealista
Numa marcha anti-sexista
Violinista calvinista
calmante ou chacina

Preguiça ou surrealista
Com nervura de bovino
Supositório purista
Amálgama visceral
Stand up baby...
Torna-te mais real

Preenche o vazio com espaços
De um teclado virtual
Canta alva ganha voz
Onde está o albatroz?




10/01/18

ORA COMO

Como se todas as linhas
derivassem da mesma esfera.
Em nome da Lua castigadas

Como as súbitas dilatações da papila
gustativa ao interagir com o gengibre
Se traem num doce se retraem num amargo

Ora discípulas ora funestas
contorcendo-se ao descer por entre
a tua clavícula internamente

Entornadas como todas as coisas
num copo meio cheio de um
sistema meio vazio.